Oito números bastam para o dono de uma pequena loja saber, toda semana, se as vendas, o dinheiro e o estoque estão no rumo: faturamento comparado, ticket médio, margem bruta, saldo de caixa projetado, contas a receber vencidas, cobertura de estoque, itens parados e ruptura dos mais vendidos. Todos saem de dados que a loja já tem, seja no sistema de gestão, seja em planilha. O segredo não está em calcular muitos indicadores, mas em olhar os mesmos, no mesmo dia da semana, e ter uma ação definida para quando cada um sai do normal.

1. Faturamento da semana comparado com a mesma semana do ano anterior

Comparar a semana com a anterior engana, porque datas comemorativas, início de mês e feriados mudam o movimento. A comparação mais justa é com a semana equivalente do ano anterior, ou com a média das últimas quatro semanas quando a loja ainda não tem um ano de histórico.

Como calcular: (faturamento desta semana ÷ faturamento da semana equivalente) − 1. Se a semana fez R$ 22.000 e a equivalente, R$ 20.000, o crescimento é de 10%.

Erro comum: comparar valores com prazos de recebimento diferentes. Use sempre o valor vendido na semana, e não o que entrou no banco, porque vendas no cartão e no boleto caem em datas variadas e distorcem a comparação.

O que fazer quando muda: uma queda isolada pode ser chuva ou feriado. Três semanas seguidas abaixo pedem investigação: saiu um produto forte, mudou o horário, abriu concorrente perto?

2. Ticket médio

Ticket médio é o valor médio de cada venda. Ele mostra se o cliente está levando mais ou menos por compra, algo que o faturamento sozinho esconde.

Como calcular: faturamento da semana ÷ número de vendas da semana. Com R$ 22.000 em 550 vendas, o ticket médio é de R$ 40.

Erro comum: contar devoluções e cancelamentos como vendas. Desconte-os do faturamento e do número de vendas antes da divisão; caso contrário, uma semana com muitas trocas parece ter ticket maior do que teve.

O que fazer quando muda: se o faturamento caiu e o ticket se manteve, o problema é de movimento, ou seja, entraram menos clientes. Se o número de vendas se manteve e o ticket caiu, o cliente está vindo, mas comprando menos: vale olhar a exposição de produtos complementares e se algum item que puxava a compra faltou.

3. Margem bruta da semana

Vender mais com margem menor pode deixar a loja com menos dinheiro no fim do mês. Acompanhar a margem bruta junto com o faturamento evita essa surpresa.

Como calcular: (faturamento − custo das mercadorias vendidas) ÷ faturamento. Se a semana faturou R$ 22.000 e as mercadorias vendidas custaram R$ 13.200, a margem bruta foi de 40%.

Erro comum: usar o preço da última compra como custo de tudo o que foi vendido. Se o sistema registra custo médio, use esse valor; se não registra, mantenha o mesmo critério em todas as semanas, para que a comparação continue válida.

O que fazer quando muda: queda de margem costuma vir de três lugares: desconto em excesso, reajuste de fornecedor não repassado ao preço ou mudança no mix, com mais venda de itens de margem baixa. Confira os três nessa ordem.

4. Saldo de caixa projetado para as próximas semanas

O saldo de hoje diz pouco. O que importa é quanto vai sobrar depois dos pagamentos que estão chegando.

Como calcular: saldo atual + recebimentos previstos − pagamentos previstos, semana a semana, para pelo menos as próximas quatro semanas. Uma variação útil é contar quantos dias de despesas o caixa cobre: saldo ÷ despesa média diária.

Erro comum: incluir na projeção vendas que ainda não aconteceram como se fossem certas. Recebimentos já contratados, como parcelas de cartão e boletos emitidos, entram pelo valor cheio; vendas futuras entram com uma estimativa conservadora, abaixo da média recente.

O que fazer quando muda: se alguma semana à frente ficar abaixo do saldo mínimo que você definiu, a hora de agir é agora: renegociar um vencimento, segurar uma compra que pode esperar ou antecipar uma cobrança. Para organizar essa projeção, as dicas práticas para otimizar o fluxo de caixa ajudam a montar a base.

5. Contas a receber vencidas

Para lojas que vendem no crediário, no boleto ou para clientes com conta, o valor vencido e não pago é dinheiro que já deveria estar no caixa.

Como calcular: some tudo que venceu e não foi pago e divida pelo total a receber. Também vale separar por faixa de atraso: até 15 dias, de 16 a 60 dias e acima de 60 dias.

Erro comum: misturar renegociações com recebimentos novos. Quando uma dívida antiga é parcelada de novo, as parcelas novas devem ficar identificadas, para que o atraso não desapareça do indicador só porque mudou de data.

O que fazer quando muda: cobre primeiro os atrasos recentes, que têm mais chance de retorno. Se a fatia vencida cresce mês após mês, revise os critérios para liberar venda a prazo antes de aumentar a cobrança.

6. Cobertura de estoque em dias

Cobertura é quantos dias o estoque atual dura no ritmo de vendas atual. Ela mostra, em uma linguagem fácil, se a loja está com mercadoria demais ou de menos.

Como calcular: valor do estoque a preço de custo ÷ custo médio vendido por dia. Com R$ 90.000 em estoque e R$ 1.800 de custo vendido por dia, a cobertura é de 50 dias.

Erro comum: calcular a cobertura usando o estoque a preço de venda e o custo vendido por dia, o que infla o resultado. Os dois lados da conta precisam estar na mesma base, de preferência a preço de custo.

O que fazer quando muda: não existe número certo para todo negócio; depende do prazo do fornecedor e do tipo de produto. O que importa é a tendência. Cobertura subindo sem aumento de vendas significa dinheiro parado na prateleira, e o próximo pedido de compra deve ser menor.

7. Itens parados há mais de 90 dias

A cobertura geral pode estar boa e mesmo assim esconder produtos que não vendem há meses. Esses itens ocupam espaço e prendem dinheiro que poderia virar mercadoria de giro.

Como calcular: liste os itens com saldo e sem venda nos últimos 90 dias e some o valor de custo deles. O corte de 90 dias é uma referência; lojas de moda ou de perecíveis usam prazos menores.

Erro comum: tratar como parado um item sazonal fora de época. Material escolar em outubro ou ventilador no inverno podem estar sem venda e mesmo assim fazer sentido no estoque; marque esses itens para não liquidá-los por engano.

O que fazer quando muda: para cada item da lista, decida uma de três saídas: reposicionar na loja, fazer uma ação de preço ou parar de comprar. A decisão "deixar como está" é a que mais custa.

8. Ruptura dos itens mais vendidos

Ruptura é o produto faltar quando o cliente procura. Nos itens que mais vendem, cada dia zerado é venda perdida, e às vezes cliente perdido.

Como calcular: pegue os 20 ou 30 itens que mais faturam e conte quantos estão com saldo zero ou abaixo do estoque mínimo no dia da revisão. Se 3 de 30 estiverem zerados, a ruptura da lista é de 10%.

Erro comum: confiar só no saldo do sistema. Se o estoque registrado não bate com a prateleira, o item pode aparecer com saldo e estar faltando na loja; uma olhada rápida nas gôndolas dos 30 itens confirma o número.

O que fazer quando muda: ruptura frequente no mesmo item indica estoque mínimo baixo demais ou fornecedor que atrasa. Ajuste o mínimo considerando o prazo real de entrega, e não o prometido, e registre os atrasos do fornecedor para a próxima negociação. Quem quer reunir esses números em um painel único pode ver como usar dashboards de gestão para decisões rápidas; uma folha de papel com as oito linhas, preenchida toda segunda-feira, também cumpre o papel no começo.